Nomura prevê euro a US$ 1,20 com altas seguidas do BCE no 4º trimestre
Estratégia do banco vê impacto positivo na moeda única até o fim do ano
O que aconteceu
O Nomura International projeta que a possibilidade de altas seguidas nas taxas de juros do Banco Central Europeu (BCE) fortalecerá o euro até o final de 2026. O banco estipulou como meta para a moeda europeia o patamar de US$ 1,20 no quarto trimestre do ano. A visão foi apresentada por Dominic Bunning, head de estratégia de câmbio do G10 do Nomura, em entrevista à Bloomberg Television no dia 2 de setembro de 2026.
A indicação foi feita por Bunning durante um painel sobre perspectivas para as principais moedas globais. O estrategista afirmou que o movimento de política monetária do BCE, com duas ou mais elevações consecutivas nas taxas, pode ser o catalisador para o euro ganhar fôlego frente ao dólar. O euro pode ser impulsionado por esses aumentos de juros, conforme a leitura do Nomura International.
Contexto
A declaração chega em um momento em que investidores acompanham de perto o ciclo de aperto monetário das grandes economias. O BCE sinaliza que deve continuar subindo os juros para conter a inflação, e analistas do G10, grupo que inclui as dez moedas mais negociadas do mundo, monitoram eventuais impactos sobre as taxas de câmbio.
O cargo de Dominic Bunning, que lidera a estratégia de câmbio do G10 no Nomura International, envolve justamente traçar cenários para pares como euro-dólar. O time de estratégia da instituição, sediada em Tóquio e com forte presença em Londres, usa modelos que combinam dados macroeconômicos, política monetária dos bancos centrais e fluxos de capital.
A meta de US$ 1,20 para o euro representa uma valorização relevante em relação aos níveis recentes da moeda. Embora o material não cite a cotação atual, a projeção do Nomura indica uma aposta clara em alta da moeda única até o fim do ano. O motivo, segundo Bunning, está no diferencial de juros, já que elevações consecutivas encarecem o euro e atraem capital estrangeiro.
Por que importa
A previsão afeta diretamente empresas brasileiras que exportam para a Europa ou importam produtos da zona do euro. Se o euro subir para US$ 1,20, o custo de importação em euro se torna maior em reais, pressionando margens de companhias que dependem de insumos europeus. Por outro lado, exportadores brasileiros que vendem para a região podem ganhar competitividade em relação ao dólar.
Para investidores locais que aplicam no exterior, a eventual alta do euro cria oportunidades em fundos cambiais e ETFs atrelados à moeda europeia. A projeção do Nomura International, uma grande instituição financeira global, pode orientar decisões de alocação em portfólios de renda fixa e ações europeias.
Impacto
De curto prazo, a declaração de Bunning deve reforçar as apostas de que o BCE elevará os juros nas próximas reuniões. Os mercados futuros de juros da zona do euro podem precificar isso, o que tende a beneficiar o rendimento dos títulos europeus de curta duração.
No médio prazo, se a previsão se concretizar, o euro mais forte pode reduzir a inflação importada nos países da zona do euro, dado que bens comprados em dólar ficam mais baratos. Contudo, para os Estados Unidos, a alta da moeda europeia pode afetar exportações de empresas americanas que vendem para a região.
A meta do Nomura também coloca pressão sobre o Federal Reserve, que enfrenta um dólar potencialmente mais fraco. Isso pode impactar o custo de commodities, que na maioria das vezes é denominado em dólar, mas as consequências ainda dependem da magnitude das altas de juros do BCE.
A reação imediata nos mercados foi discreta, já que a entrevista ocorreu durante uma manhã de baixa liquidez na Europa. O euro, que vinha sendo negociado em uma faixa estreita contra o dólar, pode encontrar suporte nas próximas semanas à medida que os investidores ajustam posições com base na fala de Bunning.
O que muda
A principal mudança está no tom da orientação do Nomura. O banco agora condiciona o fortalecimento do euro à confirmação de um ciclo de alta contínuo por parte do BCE, não apenas a um movimento isolado. Isso sugere que os próximos dados de inflação da zona do euro e as comunicações do conselho do BCE serão decisivos para a moeda.
Empresas que atuam com hedge cambial, como multinacionais brasileiras com operações na Europa, devem revisar seus contratos futuros de dólar e euro. Com a projeção de US$ 1,20, o Nomura indica um viés de alta para o par EUR/USD, orientação que pode ser incorporada por seguradoras e tesourarias.
O que vem agora
Os próximos passos envolvem as reuniões de política monetária do BCE previstas para os próximos meses. O mercado aguarda decisões sobre a taxa básica de juros e as projeções econômicas revisadas. Novas declarações de membros do conselho, como Christine Lagarde, presidente da instituição, deverão dar mais clareza sobre o ritmo de aperto.
Na prática, a meta de US$ 1,20 deve ser testada a partir de outubro, quando o quarto trimestre começa. Dados de inflação ao consumidor e do mercado de trabalho na zona do euro serão fundamentais para confirmar ou refutar a expectativa do Nomura. Se as altas consecutivas se materializarem, o euro pode encontrar suporte técnico para tentar alcançar esse nível.
Enquanto isso, o Nomura International segue monitorando a trajetória do câmbio e ajustando seus modelos. O departamento liderado por Dominic Bunning deve divulgar novos relatórios no decorrer do trimestre, mantendo os investidores informados sobre possíveis revisões na projeção.
