Nova York pressiona por 'Ban the Scan' no MSG

Manifestação reúne músicos e ativistas contra vigilância biométrica em locais públicos

Por Marcos Guimarães14 ago 2026
Nova York pressiona por 'Ban the Scan' no MSG

O que aconteceu

Na sexta-feira, políticos, músicos e ativistas de privacidade se reuniram em frente ao Madison Square Garden (MSG) para pressionar pela aprovação do projeto de lei "Ban the Scan", que proíbe o uso de tecnologia de reconhecimento biométrico em locais públicos de Nova York. A vereadora Shahana Hanif, que propôs o projeto em janeiro, liderou o ato com o coro "ban the scan". O projeto já tem 27 endossos, mais da metade dos 51 membros do City Council, e está em negociação com a presidente da Câmara, Julie Menin, para avançar.

O evento contou com a presença do músico country Paisley Fields, representantes do grupo de trabalho democrata-socialista NYC DSA Tech Action e membros da organização de direitos digitais Fight for the Future. Hanif, que é muçulmana e cresceu em Nova York pós-11 de setembro, afirmou que muitos não percebem o nível de vigilância a que estão expostos ao assistir a um jogo ou show.

Contexto

O MSG é conhecido por suas práticas de coleta de dados biométricos. O local mantém um banco de dados com rostos de fãs que criticam o dono, James Dolan, ou o time New York Knicks. Em um caso, a segurança do MSG rastreou os movimentos de um fã durante um jogo, registrando com quem falou, quando comeu e onde sentou. Além disso, centenas de advogados envolvidos em disputas com Dolan foram banidos de suas propriedades, incluindo uma mãe que foi impedida de levar a filha a um show no Radio City Music Hall.

Em julho, o WIRED revelou que o MSG mantém um banco de dados com pontuações de risco para cerca de 400 celebridades e VIPs, incluindo raça e orientação sexual. O MSG processou o WIRED por difamação após a publicação da reportagem.

Por que importa

A proposta de Hanif visa proteger a privacidade dos cidadãos que frequentam espaços públicos. A preocupação aumenta porque Dolan tem uma longa relação com o presidente Donald Trump, o que levanta questões sobre o uso dos dados coletados. "MSG e seu CEO, James Dolan, têm abusado flagrantemente da biotecnologia", disse Hanif no evento, defendendo a necessidade de limites claros para a vigilância biométrica.

O projeto "Ban the Scan" pode estabelecer um precedente para outras cidades nos EUA, mostrando que a coleta de dados faciais em locais privados de acesso público não pode ser feita sem consentimento ou supervisão.

Impacto

Se aprovado, o projeto impedirá que o MSG e outros locais públicos usem reconhecimento facial, o que pode afetar a segurança e a experiência dos frequentadores. Por outro lado, pode criar um marco regulatório para o uso de biometria em espaços privados com acesso público. O MSG, em resposta, afirmou que "as pessoas reconhecem rostos desde o início dos tempos — só que agora fazemos isso eletronicamente", defendendo a prática como parte da segurança.

A aprovação pode gerar impacto imediato na operação do MSG, que usa o sistema para banir advogados e críticos, e também pode influenciar outras arenas e teatros que adotam tecnologia similar.

O que vem agora

O projeto "Ban the Scan" precisa avançar na Câmara Municipal. Com 27 endossos, Hanif está em conversas com a presidente Julie Menin para agendar uma votação. Ativistas, como o Fight for the Future e o NYC DSA Tech Action, prometem continuar pressionando. A votação pode ocorrer nos próximos meses, e a expectativa é que o debate sobre privacidade biométrica ganhe força em outras cidades americanas.