Pie, do fundador da Bonobos, lança comunidade para virar rede social além de eventos

Startup de Andy Dunn abre Community Homes, espaços digitais permanentes que competem com grupos de texto e Facebook Groups.

Por Marcos Guimarães25 ago 2026
Pie, do fundador da Bonobos, lança comunidade para virar rede social além de eventos

O que aconteceu

A Pie, startup de contatos sociais fundada pelo cofundador da Bonobos, Andy Dunn, anunciou na terça-feira (25) o lançamento do Community Homes, recurso que permite a grupos criarem páginas permanentes dentro do aplicativo. O anúncio foi feito pela própria empresa e divulgado pelo TechCrunch. A novidade oferece feed próprio, controles de administração e membros, homepage compartilhável e ferramentas de planejamento de eventos para cada comunidade.

O Community Homes, novo recurso da Pie, chega para substituir o uso de grupos de mensagens de texto e do Facebook Groups como ferramentas de organização social. Na nova estrutura, qualquer membro pode compartilhar eventos no feed do grupo, e não apenas os administradores, o que a empresa diz estimular um networking mais natural.

A Pie tem cerca de 300 mil usuários e é apoiada por investidores como Forerunner, Lightspeed, Accel e o anjo Ev Williams, cofundador do Twitter. O app nasceu como uma plataforma de eventos em Chicago, cidade para onde Dunn se mudou de Nova York e onde, segundo ele, teve dificuldade para encontrar comunidade e amizades.

Contexto

A Pie, que começou como um aplicativo de eventos em Chicago, já vinha ensaiando esse movimento. Em dezembro, a startup mudou seu feed de atividades para destacar quais conhecidos do usuário estariam em cada evento, em vez de apenas listar os eventos disponíveis. A mudança elevou o tempo médio de uso no app de 2 minutos para 10 minutos, segundo a equipe da empresa.

O lançamento do Community Homes foi a adição mais recente nessa direção. A empresa também lançou um recurso de favoritos que permite aos usuários montar perfis públicos com seus interesses preferidos. A aposta da Pie é que, com espaços permanentes para grupos, as conexões deixem de ser pontuais e se tornem contínuas.

O movimento acontece em um momento em que jovens procuram mais interações no mundo real depois de anos de socialização online. Em vez de se conectar apenas por redes sociais tradicionais, esse público busca ferramentas digitais que levem a encontros presenciais, e é exatamente esse espaço que a Pie quer ocupar.

Por que importa

A decisão da Pie de se reposicionar como rede social para grupos, e não apenas como app de eventos, coloca a startup em rota de colisão direta com o Facebook Groups e com os grupos de mensagens de texto, que são hoje as principais ferramentas usadas para organizar vida social. Para o usuário, a proposta é consolidar em um só lugar o que hoje está espalhado entre WhatsApp, iMessage e redes sociais.

Para os investidores, o movimento indica uma aposta em retenção. O salto no tempo de uso após a mudança do feed em dezembro, de 2 para 10 minutos, é o tipo de métrica que chama atenção de fundos de venture capital, já que tempo de uso costuma estar associado a engajamento e, no futuro, a monetização.

Impacto

Se o Community Homes emplacar, a Pie pode se tornar uma alternativa viável a grupos fechados em outras plataformas, com a vantagem de ter o evento como consequência natural das conexões, e não como atração principal. A empresa planeja adicionar em breve chats em grupo e um recurso para publicações casuais de convites, como perguntar se alguém quer "sair para fazer artesanato" ou assistir à "reunião do Love Island" sem um plano definido.

O histórico de Dunn é um trunfo nessa empreitada. O empresário construiu a Bonobos, marca de roupas masculinas vendida ao Walmart em 2017 por US$ 310 milhões, e agora aplica no Pie a mesma lógica de construir produto em torno de necessidades claras. A trajetória do app de evento para rede social mostra que a startup está disposta a pivotar para encontrar o encaixe certo no mercado.

O que muda

A Pie, startup de Andy Dunn, muda sua proposta central: os eventos deixam de ser o ponto de partida para se tornarem a consequência de uma comunidade ativa. Os novos espaços digitais do Community Homes oferecem um local permanente para organizadores e membros construírem relacionamentos além de um único encontro.

O Community Homes, recurso lançado pela Pie em agosto, também muda a dinâmica de curadoria ao permitir que qualquer membro compartilhe eventos no feed do grupo. Com isso, a rede social de Dunn aposta em uma estrutura mais horizontal de organização, diferente do modelo centralizado de administradores que domina o Facebook Groups.

O que vem agora

Os próximos passos da Pie incluem o lançamento de group chats e o recurso de convites casuais sem compromisso, ainda sem data divulgada. A empresa não informou quando pretende monetizar a plataforma, mas o crescimento de funcionalidades sociais sugere que o foco atual é expandir a base de usuários e aumentar o tempo de permanência no app.