Suécia: o ecossistema de startups mais quente da Europa
Nova geração de founders suecos atrai investidores americanos e levanta bilhões
O que aconteceu
A Suécia levantou US$ 2,8 bilhões em funding de startups em 2026, segundo dados da Dealroom. O ecossistema sueco, que já foi casa de Spotify e Klarna, agora vive uma nova onda com empresas como a Legora, de IA jurídica, e a Lovable, ferramenta de vibe-coding. A projeção é que o total chegue a ao menos US$ 5 bilhões até o fim do ano. Em 2025, o montante foi de US$ 3,2 bilhões, e em 2021 chegou a US$ 8,5 bilhões, pico do mercado de venture capital que depois esfriou e agora volta a aquecer.
Sophia Bendz, general partner da Cherry Ventures, explicou ao podcast Equity, do TechCrunch, que o país vive um momento em que ser founder é considerado cool. "Agora, muita gente otimiza para criar coisas e para buscar liberdade e, provavelmente, riqueza", disse ela. Quando trabalhou no Spotify, o caminho mais valorizado era banqueiro ou consultor. Hoje, a nova geração de empreendedores suecos está colhendo os frutos dessa mudança cultural.
Contexto
A Suécia já é um celeiro de empresas de tecnologia. Antes da atual leva, o país produziu gigantes como Spotify e Klarna. A nova onda inclui a Neko Health, de saúde, e a Einride, de transporte autônomo. Bendz aponta que a primeira geração de founders está fornecendo recursos e mentoria para a atual. Em alguns casos, esses empreendedores estão fundando novas empresas: Daniel Ek, fundador do Spotify, também é fundador da Neko Health, um dos nomes emergentes do ecossistema.
A especialista da Cherry Ventures afirma que a atual geração também inspira a próxima. "Pessoas que trabalharam na Lovable e na Legora parecem muito movidas por espírito empreendedor e querem começar suas próprias empresas", disse ela. Essa dinâmica cria um ciclo de renovação contínua dentro do ecossistema sueco.
Por que importa
O fenômeno sueco mostra que uma combinação de cultura empreendedora e mentoria ativa produz resultados mensuráveis. Para startups brasileiras, a lição é clara: o papel de founders experientes como mentores, e a recorrência de pessoas que fundam mais de uma empresa, são fatores críticos para escalar um ecossistema. O interesse de investidores americanos, que estão voando para Estocolmo para assinar term sheets, reforça que o capital global está de olho nesses ativos. Bendz disse que esse movimento é "um testemunho de que temos ótimas empresas sendo construídas aqui".
Impacto
No curto prazo, a entrada de capital americano deve acelerar ainda mais o crescimento das startups suecas. Funcionários da Lovable e da Legora estão saindo para criar seus próprios negócios, segundo Bendz. No médio prazo, a Suécia pode consolidar a liderança em segmentos como IA jurídica e ferramentas de desenvolvimento, além de atrair mais talentos internacionais. A cultura de aceitar o risco empreendedor, que já rendeu frutos com Spotify, agora se multiplica em várias frentes.
O que muda
O ecossistema sueco deixa de depender de grandes nomes históricos e passa a funcionar como uma fábrica de novas startups. A presença de americanos nos term sheets indica que a Suécia virou um destino global de inovação, não apenas um mercado local. Para o restante da Europa, isso serve de modelo de como estruturar apoio a founders, combinando capital, mentoria e uma cultura que valoriza a criação de empresas.
O que vem agora
A projeção da Dealroom é que a Suécia levante ao menos US$ 5 bilhões em 2026. Com a chegada de mais investidores americanos, a tendência é que novas rodadas sejam anunciadas nos próximos meses. A nova geração de founders, inspirada pelos exemplos da Lovable e da Legora, deve continuar gerando spin-offs. Daniel Ek, com a Neko Health, permanece como referência de repeat founder. Resta saber como o país vai administrar esse crescimento sem repetir o ciclo de 2021, que viu o mercado esfriar depois do pico.
Fonte: TechCrunch
