Tim Cook deixa a Apple após 15 anos: os maiores acertos e erros

Executivo que assumiu em 2011 entregou a empresa mais lucrativa do planeta, mas com tropeços.

Por Marcos Guimarães1 set 2026
Tim Cook deixa a Apple após 15 anos: os maiores acertos e erros

O que aconteceu

A Apple anunciou que Tim Cook está deixando o posto de CEO, cargo que ele ocupava desde 2011. Quem assume é John Ternus, até então líder da divisão de hardware. A informação foi publicada pelo The Verge, que listou os dez maiores acertos e erros da gestão de Cook. A transição ocorre depois de 15 anos de um mandato em que a empresa passou a valer mais de US$ 3 trilhões em alguns momentos, e se consolidou como uma das mais lucrativas do mundo.

Tim Cook assumiu em agosto de 2011, dois meses antes da morte de Steve Jobs. Ele herdou uma companhia que vinha de uma sequência de sucessos, como o retorno do Mac revitalizado, o lançamento do iPod e a estreia do iPhone. A expectativa em cima dele era quase impossível de alcançar, dado o tamanho do antecessor.

Contexto

Para diversificar a receita, que dependia demais do iPhone, Cook apostou no setor de serviços da Apple. Esse segmento começou a crescer de forma expressiva com a App Store, lançada em 2008. Sob a gestão de Cook, ele foi ampliado com o Apple Pay em 2014, o Apple Music em 2015, e depois um pacote em 2019 com Apple TV, Apple Arcade, Apple News Plus e o cartão de crédito Apple Card. Mais tarde vieram o Fitness Plus e o Apple One, plano que reúne todos os serviços. No último ano fiscal, Apple reportou US$ 100 bilhões de receita vinda desse setor (The Verge).

Outro marco foi o Apple Silicon. A Apple liderou a transição dos Macs, que usavam processadores Intel, para chips próprios, começando em 2020. A mudança poderia ter dado errado, como aconteceu com o Windows em chips Arm, que sofria com desempenho fraco e software lento. No caso da Apple, os primeiros chips M1 superaram as expectativas e transformaram os computadores da marca em referência de eficiência.

Por que importa

A saída de Tim Cook muda a direção de uma das empresas mais influentes do planeta. John Ternus, o novo CEO, herda uma operação madura, mas com desafios. O mercado observa se ele conseguirá manter o ritmo de inovação em hardware, o crescimento dos serviços e a expansão do ecossistema, como fez Cook.

Para consumidores, a troca pode significar mudanças na prioridade de produtos. Cook equilibrou a obsessão por design de Jobs com uma visão de negócios mais pragmática, focada em receita recorrente. Quem compra iPhone, Mac e assina serviços pode ver ajustes na estratégia de preços e nos lançamentos.

Impacto

No curto prazo, a Apple mantém sua base instalada de mais de 2 bilhões de dispositivos ativos. O Apple Silicon já está na terceira geração, e a empresa planeja integrar mais IA aos aparelhos, algo que ainda não foi totalmente entregue. O setor de serviços, que gera US$ 100 bilhões anuais, tende a continuar crescendo, mas a desaceleração das vendas de iPhone em mercados como a China ainda pesa.

O que muda

John Ternus terá que provar que pode assumir o papel de líder público que Cook desempenhou, incluindo relações com governos e regulações antitruste. Além disso, a Apple enfrenta investigações na União Europeia sobre a App Store e precisa adaptar seus produtos às novas regras de interoperabilidade. O novo CEO terá pouco tempo para errar, já que os acionistas cobram retornos em um mercado de tecnologia cada vez mais competitivo.

O que vem agora

A Apple não divulgou um cronograma público para a transição. Espera-se que Tim Cook continue envolvido em alguns conselhos internos, conforme a tradição da empresa. John Ternus, por sua vez, deve apresentar sua visão no próximo evento de hardware, previsto para setembro. A companhia também precisa responder como pretende integrar modelos de linguagem em seus sistemas, área em que chegou atrasada em relação a Google e Microsoft.