Trump critica NBC por comentário sobre eleições; Tesouro barra jornais no G20
Presidente quer punição à jornalista Kristen Welker; Tesouro nega credenciais do G20 a veículos econômicos
O que aconteceu
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, atacou neste domingo, 30 de agosto de 2026, a apresentadora Kristen Welker, do programa “Meet the Press”, da rede NBC. Em publicação no Truth Social, Trump afirmou que Welker será reportada à Comissão Federal de Comunicações (FCC) por dizer que ele teve “resultados mistos” com os candidatos que endossou nas primárias deste ano. O presidente chamou a fala de “imprecisão proposital” e pediu “repreensão ou punição” à jornalista, que trabalha em emissora que usa “ondas públicas de rádio”.
As declarações atribuídas a Welker não foram feitas no programa de domingo. A fala ocorreu em um segmento pré-programa exibido na afiliada local de Washington, WRC-TV, conforme revelou o âncora da CNN Brian Stelter, em publicação no X. No trecho, Welker citou derrotas de dois candidatos apoiados por Trump: o empresário Mike Lindell, da MyPillow, na disputa pelo governo de Minnesota, e o deputado Randy Feenstra, na primária republicana de Iowa. Ela também mencionou a vitória da senadora Darline Graham, irmã do falecido senador Lindsey Graham, na primária da Carolina do Sul.
O ataque a Welker acontece depois que o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos barrou jornalistas de economia do The New York Times, do The Wall Street Journal e da Bloomberg nas reuniões do G20, realizadas na Carolina do Norte. O Tesouro, segundo o Times, informou que cerca de 300 profissionais de mídia foram credenciados, incluindo pelo menos um outro repórter do próprio jornal.
Contexto
As duas decisões fazem parte de um padrão da administração Trump de restringir o acesso da imprensa. No ano passado, o Pentágono impôs uma nova política de cobertura que levou quase todos os veículos a deixarem de assinar o acordo, encerrando a participação nas coberturas.
Trump tem longo histórico de ataques à mídia, a quem chama de “fake news”. No segundo mandato, porém, o presidente encontrou mais disposição para agir no plano regulatório. Brendan Carr, presidente da FCC, já pediu ação contra o apresentador Jimmy Kimmel, da ABC, por comentários feitos no programa noturno. A emissora chegou a pausar temporariamente a atração.
Por que importa
A exclusão de jornalistas do NYT, do WSJ e da Bloomberg no G20 muda a cobertura do encontro entre as maiores economias do mundo. Esses três veículos são referência em pauta econômica global. Sem eles, parte das discussões sobre finanças, comércio e política monetária pode ficar menos escrutinada.
O ataque de Trump a Welker também acende um alerta para o uso de órgãos reguladores contra jornalistas. A FCC tem poder de punir emissoras, e a ameaça direta a uma apresentadora é um precedente que pode constranger outros profissionais em ano eleitoral.
Impacto
No curto prazo, as credenciais negadas podem levar outros veículos a reduzir a cobertura do G20 ou a questionar os critérios do Tesouro. A decisão cria um precedente para que o governo selecione quais jornalistas podem cobrir eventos internacionais em solo americano.
Para a NBC, o caso é um teste de como responder à pressão de Trump sem abrir mão da defesa de sua equipe. A rede terá de decidir se contesta a ameaça publicamente e como cobre a história mantendo distância editorial.
O que muda
A relação entre a imprensa americana e o governo muda de patamar. Ameaças de punição via FCC e a barreira a credenciais oficiais passam a ser ferramentas efetivas contra veículos críticos. Jornalistas de economia, em especial, passam a enfrentar obstáculos concretos para acessar fontes oficiais em eventos internacionais.
O que vem agora
A FCC ainda não se manifestou sobre a ameaça de Trump. Eventual procedimento contra Welker dependeria de decisão de Brendan Carr. Não há prazo definido. O Tesouro também não indicou se vai revisar as credenciais negadas. As reuniões do G20 seguem na Carolina do Norte ao longo da semana.
