Uber integra drones da Zipline na rede de entregas do Eats

Primeiras entregas com aeronaves acontecem até o final deste ano, começando por mercados já operados pela Zipline.

Por Marcos Guimarães17 ago 2026
Uber integra drones da Zipline na rede de entregas do Eats

O QUE ACONTECEU

A Uber está investindo e se aliando à Zipline, empresa de logística por drones, para acelerar as entregas aéreas autônomas no Uber Eats. O acordo foi divulgado na segunda-feira (17) (TechCrunch). As empresas não revelaram o valor do investimento.

A parceria prevê que os drones da Zipline comecem a realizar entregas na plataforma Uber Eats até o final de 2026. A operação inicial ocorrerá nos mercados onde a Zipline já atua, com planos de expansão para "dezenas de cidades nos EUA". A meta combinada é atingir a marca de um milhão de entregas diárias com drones até o final de 2029.

CONTEXTO

A jogada se encaixa na estratégia de crescimento da Uber, que consiste em integrar ao seu ecossistema o maior número possível de empresas de tecnologia autônoma, sem desenvolver a tecnologia por conta própria. É a mesma abordagem usada com veículos autônomos (robotaxis), área onde a empresa já comprometeu mais de US$ 10 bilhões com dezenas de fornecedores.

A Uber já havia testado entregas por drones quando tinha sua divisão Elevate, depois abandonada. Recentemente, em 2025, a empresa fez uma parceria menor com a startup israelense Flytrex, que também veio acompanhada de um investimento. A Zipline, por sua vez, é uma player consolidada no setor e acaba de fechar uma rodada de financiamento estendida de Série H no valor de US$ 800 milhões, o que elevou sua valuation para US$ 7,6 bilhões (TechCrunch).

POR QUE IMPORTA

A principal aposta da Uber é que a Zipline pode cumprir pedidos do Uber Eats em apenas cinco a dez minutos, abrindo um mercado de "quick commerce" (comércio ultrarrápido) que o CEO Dara Khosrowshahi classificou como "enorme" e um "grande vento a favor para o próximo ciclo de crescimento" do Eats (The Wall Street Journal). Para o consumidor, isso significa acesso potencial a entregas de comida e outros itens em um tempo recorde.

Para o mercado, a parceria intensifica a disputa no setor de logística por drones, onde a Zipline agora tem o suporte de uma das maiores plataformas de mobilidade e delivery do mundo. A estratégia também reforça a visão da Uber como um marketplace de tecnologias autônomas, e não como desenvolvedora dessas soluções.

IMPACTO

No curto prazo, a Zipline ganha acesso a uma base massiva de clientes e pedidos do Uber Eats, o que pode acelerar sua expansão e viabilidade econômica. Para a Uber, é mais uma aposta para diversificar seu negócio de entregas e se diferenciar da concorrência, como o iFood e o Rappi, que ainda não possuem integração com drones em escala.

No médio prazo, se a meta de um milhão de entregas diárias for alcançada, isso poderia redefinir a logística de última milha em grandes centros urbanos, criando novos padrões de rapidez e conveniência para o consumidor. A expansão para "dezenas de cidades" também pode criar pressão regulatória para acelerar a adaptação do arcabouço legal ao tráfego de drones em áreas populosas.

O QUE MUDA

O modelo de negócio do Eats ganha uma nova camada de diferenciação técnica. A parceria com a Zipline posiciona a Uber como líder potencial na corrida pelas entregas aéreas, ao mesmo tempo em que mantém sua flexibilidade de não depender de um único fornecedor (como já faz com veículos autônomos terrestres). Isso pode forçar rivais a buscarem parcerias similares ou investirem em suas próprias soluções.

O QUE VEM AGORA

O próximo passo imediato é a implementação técnica e operacional para iniciar as primeiras entregas com drones da Zipline na plataforma Uber Eats até o final de 2026. As empresas irão mapear e operacionalizar os primeiros mercados. A expansão para as dezenas de cidades prometidas deve seguir um cronograma a ser definido, condicionado a aprovações regulatórias e ao desempenho operacional inicial.

A Uber também continuará sua estratégia de investir em múltiplos parceiros de veículos autônomos, embora enfrente desafios em outras frentes, como a deterioração da relação com a Waymo, que deve se encerrar quando os contratos expirarem em 2028.