Venture de nuvem da Alphabet e Blackstone sofre atrasos em data centers

Sites previstos para rodar chips do Google enfrentam obstáculos, segundo a Bloomberg

Por Marcos Guimarães8 set 2026
Venture de nuvem da Alphabet e Blackstone sofre atrasos em data centers

O que aconteceu

A Alphabet Inc. e a Blackstone Inc. têm uma nova venture de nuvem, e essa iniciativa sofreu atrasos em grandes instalações de data centers que estavam programadas para rodar os chips do Google. Segundo a agência Bloomberg, a informação foi divulgada em reportagem publicada em 8 de setembro, e aponta que os atrasos atingem exatamente os locais que seriam usados para processar as cargas de trabalho de IA com os processadores da gigante de buscas.

Os atrasos na venture de nuvem da Alphabet e da Blackstone não foram detalhados numericamente no material divulgado. A Bloomberg destaca, porém, que o caso sublinha os obstáculos que se colocam diante das pretensões de Big Tech no campo da inteligência artificial. A venture, que combina capital da Blackstone com a infraestrutura tecnológica da Alphabet, havia sido desenhada como uma aposta para acelerar a oferta de poder computacional de IA em escala industrial.

Contexto

A parceria entre Alphabet e Blackstone surge num momento em que as empresas de tecnologia correm para garantir capacidade de processamento para modelos de linguagem e outras aplicações de IA. A Alphabet, dona do Google, desenvolve seus próprios chips, os TPUs (Tensor Processing Units), que são centrais para treinar e operar seus modelos, como o Gemini. Data centers dedicados a esses chips são o coração da estratégia de nuvem da empresa, que enfrenta concorrência direta de Amazon Web Services, Microsoft Azure e outras nuvens que também buscam controlar suas próprias infraestruturas.

A Blackstone, por sua vez, é uma das maiores gestoras de ativos alternativos do mundo e vem investindo pesado em infraestrutura digital, incluindo data centers, com bilhões de dólares alocados nesse segmento nos últimos anos. A joint venture com a Alphabet foi um dos movimentos mais visíveis dessa estratégia, unindo o poder de capital da gestora com o conhecimento técnico da dona do Google.

Os atrasos nas obras ou na energização desses sites não são um fato isolado. O setor de data centers enfrenta gargalos mundiais, como prazos longos para conexão à rede elétrica, escassez de transformadores e de componentes como GPUs, além de dificuldades regulatórias e de licenciamento ambiental. Muitos projetos anunciados por empresas como Microsoft e Amazon também já sofreram adiamentos por esses motivos. A novidade aqui é que a venture da Alphabet e da Blackstone, que se esperava ter prioridade por causa do porte financeiro dos sócios, também esbarrou nesses mesmos obstáculos.

Por que importa

Os atrasos têm um impacto prático imediato: menos capacidade de computação disponível no prazo previsto para rodar os chips do Google. Isso significa que a Alphabet pode ter de recorrer a provedores externos ou a data centers próprios para suprir a demanda de clientes da nuvem do Google que esperam usar TPUs. Para os clientes empresariais que contratam capacidade de IA, a demora pode se traduzir em preços mais altos ou em filas de espera maiores para obter processamento.

A situação também expõe um risco financeiro para a Blackstone. A gestora investiu com a expectativa de retornos de longo prazo vindos de locação dessas infraestruturas para a própria Alphabet ou para terceiros. Quanto mais tempo as obras atrasam, mais capital fica imobilizado sem gerar receita. Segundo analistas citados em ocasiões anteriores, cada trimestre de atraso em um data center de grande porte pode impactar a taxa interna de retorno do projeto de forma relevante.

Impacto

No curto prazo, o impacto mais sensível é sobre o cronograma de expansão da nuvem do Google, que vem tentando se posicionar como uma alternativa viável para treinar modelos de IA em larga escala. A empresa anunciou investimentos bilionários em infraestrutura nos Estados Unidos e no exterior, mas a materialização física dessas promessas depende de obras civis e de conexões de energia.

Para o mercado como um todo, o episódio reforça a percepção de que o gargalo da IA não está apenas nos chips ou nos modelos, mas no tempo de construção de prédios, na obtenção de licenças e na disponibilidade de eletricidade. A venture da Alphabet e da Blackstone foi vista como um modelo de como aliar capital paciente com tecnologia, e sua dificuldade demonstra que nem mesmo uma união com essa força é imune aos problemas estruturais do setor.

No médio prazo, os atrasos podem levar a uma reavaliação dos cronogramas de entrega de capacidade para clientes de nuvem. Se a Alphabet não conseguir colocar esses data centers operando quando prometeu, grandes empresas que planejam rodar modelos de IA no Google Cloud podem ter de buscar alternativas na AWS ou na Azure, que também enfrentam suas próprias restrições, mas têm mais histórico de operação.

O que vem agora

Nem a Alphabet nem a Blackstone se pronunciaram oficialmente sobre a reportagem da Bloomberg até o fechamento desta edição. O esperado é que as empresas apresentem novos prazos e expliquem as causas específicas dos atrasos nas próximas semanas, possivelmente na próxima teleconferência de resultados da Alphabet, prevista para o fim de outubro.

Analistas de infraestrutura acompanham de perto se o problema é pontual, restrito a um ou dois sites, ou se representa uma falha sistêmica do empreendimento conjunto. A Bloomberg não especificou quantas localidades foram afetadas, nem a gravidade do atraso. Se for um padrão mais amplo, a parceria pode precisar de reestruturação de cronogramas e de novos aportes de capital.

Enquanto isso, o setor observa com atenção os movimentos da Alphabet e da Blackstone, pois qualquer solução que elas encontrarem para acelerar a construção pode servir de modelo para outras big techs. O caso também deve alimentar o debate sobre políticas públicas para agilizar a permissão de data centers, um tema que já está na agenda de estados americanos como Texas e Virgínia, além de países como o Brasil, que também disputa investimentos em infraestrutura digital.

Fontes

Bloomberg: Google, Blackstone Venture Faces Delays at Data-Center Sites (https://www.bloomberg.com/news/articles/2026-09-08/google-blackstone-venture-faces-delays-at-data-center-sites)