Zach Cregger: novo Resident Evil aposta em protagonista comum
Filme dirigido por Zach Cregger estreia em setembro com história paralela a Resident Evil 2
O que aconteceu
Zach Cregger dirigiu o novo filme de Resident Evil, que estreia em setembro de 2026 com Austin Abrams no papel de Bryan, um entregador médico a caminho de Raccoon City. A missão de Bryan é levar um órgão para transplante, mas o trajeto em meio a uma nevasca cruza com os eventos de Resident Evil 2. O novo Resident Evil, dirigido por Cregger, coloca Bryan no meio do apocalipse zumbi sem nenhum treinamento militar. O personagem grita, tropeça e trava na hora de tirar o seguro da pistola. Em entrevista à Polygon, Cregger afirmou que nunca pensou em usar Claire Redfield, Ada Wong ou Albert Wesker como centro da história. "Eu prefiro assistir a um filme estrelado por um sujeito comum, fora de forma e que nunca atirou com uma arma antes", disse.
Contexto
A origem do projeto está em Barbarian, filme de terror que Cregger dirigiu antes de Weapons. Durante a finalização de Barbarian, o produtor Roy Lee perguntou a Cregger se havia alguma franquia de games que ele gostaria de adaptar. A resposta de Cregger foi direta: "A única que eu faria seria Resident Evil." Lee disse para ele começar. O roteiro foi escrito em ritmo acelerado. "Foi a escrita mais rápida da minha vida, de longe", afirmou o diretor. Ele contou que, na época, não tinha força para exigir que um estúdio bancasse um filme caro de Resident Evil do seu jeito. Por isso, escreveu sem amarras, imaginando que nunca dirigiria aquele material. Desde a turnê de imprensa de Weapons até julho de 2026, na San Diego Comic-Con, Cregger respondeu repetidamente se o filme era "de verdade" um Resident Evil ou apenas um filme dele usando a marca. A resposta, segundo ele, sempre foi simples: escolheu Resident Evil porque queria fazer Resident Evil.
Por que importa
A aposta de Cregger inverte a lógica das adaptações de games. Em vez de um herói pronto, o filme oferece um personagem que sente o mesmo desespero do jogador quando a munição acaba, quando a mira falha e quando o caminho está cheio de zumbis. O novo Resident Evil de 2026 trata a fidelidade como recriação de uma sensação, não como repetição de enredo. Para quem joga, isso pode ser a primeira adaptação que entende o pânico real da franquia. Para quem esperava ver Leon Kennedy salvando o dia, a mudança pode soar como traição. O diretor de Weapons, Zach Cregger, aposta que o público quer acompanhar alguém comum, e não um soldado.
Impacto
Uma das cenas descritas por Cregger à Polygon mostra Bryan fugindo de uma zumbi em círculos ao redor de um carro de polícia virado, até descobrir como revidar. É o tipo de sequência que um roteiro tradicional de ação cortaria. No curto prazo, o lançamento de setembro de 2026 vai testar se essa leitura funciona fora do público dos games. No médio prazo, a abordagem pode abrir caminho para sequências. O diretor disse que queria contar a própria história dentro do mundo de Resident Evil. Se o público aceitar Bryan, outros protagonistas comuns podem ganhar filmes próprios.
O que muda
A definição de "fiel" muda de figura. Para Zach Cregger, ser fiel a Resident Evil significa reproduzir o medo de estar no controle de um personagem frágil, como carregar as duas últimas balas, ser emboscado e esquecer como mirar. Os eventos de Resident Evil 2 acontecem ao fundo da história de Bryan, como cenário e ameaça. O protagonista não é o herói daquele jogo, e sim um observador apanhado no meio. O filme de Resident Evil dirigido por Cregger coloca o jogador, não o personagem famoso, como referência emocional.
O que vem agora
O filme estreia em setembro de 2026. A resposta de crítica e público deve definir se a visão de Cregger vira o novo padrão da franquia no cinema. A entrevista do diretor à Polygon, publicada em setembro de 2026, mostra um cineasta convicto da escolha, depois de meses defendendo o projeto. Se o longa fizer sucesso, a chance de sequências cresce. Se fracassar, o debate sobre o que é ser fiel a Resident Evil continua. Por enquanto, resta assistir.
