1 em cada 5 empresas não controla gastos com agentes de IA em tempo real
Visibilidade e controle de custos emergem como maior desafio na adoção de agentes autônomos
O que aconteceu
Uma pesquisa da VB Intelligence, realizada com 107 empresas, revelou que 20% delas (uma em cada cinco) não conseguem parar os gastos de um agente de IA que entra em ciclo descontrolado em tempo real. O levantamento aponta que a mediana de empresas agora opera três plataformas de orquestração de agentes simultaneamente, uma escolha estratégica e não acidental.
O estudo mapeou as stacks de IA e mostrou que 85% das empresas usam duas ou mais ferramentas de orquestração, enquanto apenas 15% dependem de uma única plataforma. A Microsoft (AI Foundry/Copilot Studio) lidera com presença em 70% dos stacks analisados, seguida pelo Agents SDK da OpenAI (68%) e pela plataforma Claude da Anthropic (47%).
Contexto
A pluralidade de plataformas não é fruto de experimentação aleatória. Segundo o relatório, empresas adotam múltiplos provedores para evitar o lock-in com um fornecedor e manter flexibilidade. Porém, a razão principal vai além: há desconfiança nas capacidades de segurança e de permissões dos próprios vendors. Organizações querem impor seus próprios controles de governança.
A pesquisa da VB Intelligence, que acompanha a adoção real de IA em empresas, está baseada no feedback de engenheiros de software, machine learning, gestores de produto e diretores de dados/IA. O dado sobre o缺乏 de controle de gastos surge justamente neste contexto de implantação prática e nos desafios operacionais que não são abordados no discurso de vendas.
Por que importa
O resultado é um risco financeiro direto e operacional. Sem visibilidade em tempo real sobre o consumo de tokens e os custos associados a cada interação do agente, o orçamento de IA pode ser comprometido rapidamente. Isso afeta desde a previsibilidade de gastos de TI até a viabilidade econômica de projetos de automação. Empresas que não conseguem impor seus próprios controles de permissão e custo ficam reféns das interfaces dos provedores, muitas vezes insuficientes para uma gestão granular.
Impacto
No curto prazo, organizações são forçadas a implementar camadas próprias de monitoramento e alertas sobre o consumo de agentes, adicionando complexidade técnica. A tendência de usar múltiplos provedores deve se acelerar, não só por diversificação, mas como estratégia de mitigação de risco. Para o mercado brasileiro, onde a adoção de IA empresarial cresce, o dado é um alerta para que empresas priorizem ferramentas de FinOps para IA antes de escalar agentes autônomos.
O que muda
A descoberta redefine o que significa ter "controle" sobre uma implantação de IA. Não basta escolher o modelo certo; é preciso orquestrá-lo com transparência financeira total. Isso elevará a importância de soluções de observabilidade de custos e governança de agentes como parte essencial da stack, talvez tão crítica quanto os próprios LLMs. A Anthropic lidera no que as empresas estão considerando para o próximo passo (VB Pulse), o que pode sinalizar uma busca por modelos que ofereçam maior controle ou eficiência.
O que vem agora
A pesquisa em curso da VB Intelligence deve继续 a rastrear se essa fragilidade de controle impulsiona novas categorias de ferramentas de mercado. É provável que fornecedores comecem a destacar mais suas funcionalidades de governança, limites de custo e monitoramento em tempo real como diferencial competitivo. O próximo passo das empresas será, portanto, auditar e implementar esses mecanismos de controle interno antes de expandir o uso de agentes autônomos em processos críticos de negócio.
