CrowdStrike e Salesforce testam recuperação em relatório de resultados

Ações de software corporativo enfrentam questionamentos sobre sustentabilidade dos ganhos pós-crise da IA.

Por Marcos Guimarães25 ago 2026
CrowdStrike e Salesforce testam recuperação em relatório de resultados

O que aconteceu

Na quarta-feira, 26 de agosto de 2026, CrowdStrike e Salesforce divulgam resultados corporativos que colocam à prova a força dos recentes rebotes nas ações de software corporativo. CrowdStrike, que atingiu mínima de 52 semanas de cerca de US$ 86 em 23 de fevereiro de 2026, viu suas ações mais do que dobrar desde os mínimos recentes, chegando a máximas históricas no início de agosto. No ano, a ação subiu mais de 55%. Salesforce, por sua vez, subiu 40% nas últimas nove semanas após mínima de 52 semanas de US$ 146 em 22 de junho de 2026, mas ainda está 22% abaixo do início do ano e mais de 30% das máximas de dezembro de 2025. Ambos os relatórios ocorrem em um contexto de recuperação do setor de software corporativo após fortes preocupações com a impactagem da inteligência artificial no modelo de licenciamento baseado em assentos.

Contexto

O ano de 2025 foi marcado por fortes preocupações com a ameaça da inteligência artificial sobre o setor de software como serviço (SaaS). A possibilidade de empresas usarem IA para substituir funcionários e até construir suas próprias ferramentas de software gerou pressão sobre modelos tradicionais de assinatura por assento. Nesse cenário, a recuperação da ação de CrowdStrike foi antecipada pela percepção de que a IA supercarregaria a cibersegurança, e não a substituiria. O CEO da CrowdStrike, George Kurtz, afirmou na última temporada de resultados, em 3 de junho de 2026, que a IA está impulsionando a demanda por soluções de segurança, pois os clientes precisam proteger a IA antes de implantá-la. A ação da CrowdStrike mais do que dobrou desde seus mínimos de fevereiro, enquanto a de Salesforce, apesar do avanço recente, ainda enfrenta resistência por estar entre as menores posições no portfólio recomendado por Jim Cramer.

Por que importa

A recuperação de CrowdStrike e Salesforce reflete a volta da confiança nos modelos de software corporativo após um período de desconfiança pós-IA. Enquanto a cibersegurança retoma força com o argumento de que a IA aumenta a necessidade de proteção, o SaaS tradicional ainda enfrenta desafios estruturais. A ação da Salesforce, mesmo com alta de 40% em nove semanas, permanece 22% abaixo do início de 2026, evidenciando a fragilidade do setor fora da cibersegurança. A decisão de Jim Cramer de manter Salesforce no portfólio, apesar de reduzir a posição, mostra a tentativa de dar benefício da dúvida ao CEO Marc Benioff, com base no histórico anterior de recuperação da empresa.

Impacto

Se os resultados de quarta-feirarem positivos, a CrowdStrike pode consolidar sua posição como líder na cibersegurança impulsionada por IA, enquanto a Salesforce pode começar a superar a narrativa do chamado "SaaSpocalypse". A ação da CrowdStrike, que já subiu mais de 55% no ano, pode continuar atraindo investidores especulativos. Por outro lado, se os números decepcionarem, o setor de SaaS pode voltar a ser evitado, afetando empresas como Salesforce, cuja ação ainda está mais de 30% abaixo das máximas de dezembro de 2025. O mercado também observa se a CrowdStrike consegue justificar sua alta recente com guidance robusto, já que em junho de 2026 a empresa já havia superado expectativas de resultados e guidance.

O que muda

A CrowdStrike e a Salesforce estão em posições opostas na narrativa pós-IA. A CrowdStrike, que atingiu máximas históricas no início de agosto de 2026, representa a aposta de que a IA impulsiona a cibersegurança. A Salesforce, mesmo com recuperação recente, ainda precisa provar que pode se adaptar ao novo cenário. A decisão de reduzir posições em ambas as empresas — incluindo a venda de parte das ações da CrowdStrike e da Palo Alto Networks — mostra cautela por trás da euforia. O mercado aguarda sinais claros de que os modelos de negócio dessas empresas são compatíveis com a era da IA generativa.

O que vem agora

Nos próximos meses, o foco recai sobre a capacidade da CrowdStrike de manter seu crescimento em um ambiente de alta demanda por segurança para IA. A empresa precisa demonstrar que sua expansão recente — com ações subindo mais de 55% no ano — é sustentável. Para a Salesforce, o desafio é reverter o déficit de 22% no ano e reconquistar a confiança dos investidores, especialmente após a forte volatilidade que marcou o período pós-resultados de junho de 2026. O próximo trimestre será crucial para definir se o rebanho de software corporativo pode sobreviver à onda de IA generativa.