Família Trump recebe aprovação preliminar para criar banco nacional
World Liberty Financial quer expandir o uso da stablecoin USD1 com um banco próprio, em meio à desregulamentação do governo Trump.
O que aconteceu
A família de Donald Trump obteve aprovação preliminar para iniciar um banco nacional, conforme anunciou a World Liberty Financial no início deste mês. A aprovação, de caráter condicional, foi revelada pela própria empresa, que controla a stablecoin USD1, lastreada em dólar. O anúncio foi feito pela World Liberty Financial, que confirmou o objetivo de usar o banco para ampliar a adoção do USD1. A informação foi divulgada pela Bloomberg News, com a repórter Paige Smith detalhando o caso no programa The Big Take.
A aprovação preliminar para o banco nacional foi concedida à família Trump, que agora pode avançar no processo de licenciamento. A World Liberty Financial, empresa da família, disse que a medida faz parte de uma estratégia para integrar o USD1 ao sistema bancário tradicional. O banco, se aprovado em definitivo, operaria sob a supervisão do Office of the Comptroller of the Currency (OCC), o órgão que regula bancos nacionais nos Estados Unidos.
Contexto
A decisão ocorre em um momento de forte desregulamentação do setor financeiro promovida pela administração Trump. Desde o retorno do presidente ao cargo, o governo tem reduzido exigências para a criação de bancos e flexibilizado regras para ativos digitais. A família Trump já havia lançado o USD1 em 2025, uma stablecoin atrelada ao dólar, mas a falta de infraestrutura bancária própria limitava sua expansão. Com o banco, a expectativa é integrar a criptomoeda a serviços como empréstimos, depósitos e pagamentos, algo que hoje depende de parcerias com instituições tradicionais.
O movimento também reflete uma tendência maior: nos últimos anos, empresas de criptomoedas têm buscado licenças bancárias para reduzir custos e ganhar credibilidade. A World Liberty Financial, porém, é a primeira ligada diretamente a um presidente em exercício a obter uma aprovação preliminar desse tipo. A Bloomberg destacou que a aprovação condicional foi concedida após um processo acelerado, em linha com a agenda de desregulamentação do governo.
Por que importa
A criação de um banco nacional pela família Trump pode mudar a forma como stablecoins são usadas no mercado americano. Hoje, o USD1 depende de intermediários para ser convertido em moeda fiduciária, o que gera custos e limita sua aceitação. Com um banco próprio, a World Liberty Financial pode oferecer serviços financeiros completos, como contas correntes e cartões, diretamente ligados à stablecoin. Isso coloca a empresa em competição direta com bancos tradicionais e fintechs, mas com a vantagem de ter um presidente no comando do país.
Para o mercado, o impacto é duplo: por um lado, a aprovação sinaliza que o governo Trump está disposto a integrar criptomoedas ao sistema bancário; por outro, levanta questões sobre conflito de interesses, já que a família do presidente pode se beneficiar diretamente de políticas públicas. Analistas ouvidos pela Bloomberg apontam que a medida pode acelerar a adoção de stablecoins, mas também aumenta o risco de concentração de poder financeiro nas mãos de uma família política.
Impacto
No curto prazo, a aprovação preliminar deve acelerar os planos da World Liberty Financial de lançar o banco, que ainda precisa cumprir exigências regulatórias para obter a licença definitiva. A empresa já anunciou que pretende usar a instituição para facilitar o uso do USD1 em transações do dia a dia, como pagamentos de salários e compras. No médio prazo, a medida pode pressionar outros bancos a oferecerem serviços com stablecoins, criando um novo padrão no setor.
A decisão também tem efeitos políticos: a oposição já criticou a medida, alegando que a família Trump está usando o cargo para enriquecer. A Bloomberg relatou que o processo de aprovação foi conduzido sem audiências públicas, o que aumenta a controvérsia. Para os consumidores, o banco pode significar acesso mais fácil a criptomoedas, mas também traz riscos, como a falta de proteção do FDIC (Fundo de Garantia de Depósitos) para ativos digitais.
O que muda
Se o banco for aprovado, a World Liberty Financial deixará de ser apenas uma emissora de stablecoin para se tornar uma instituição financeira completa. Isso muda a relação da empresa com os reguladores: ela passará a ser supervisionada pelo OCC, com exigências de capital e compliance. Para o USD1, a mudança é ainda mais relevante: a stablecoin poderá ser usada como base para depósitos bancários, algo que hoje é feito por bancos tradicionais com moedas fiduciárias.
A aprovação também abre precedente para outras empresas de criptomoedas. A Bloomberg destacou que o governo Trump tem sinalizado que quer transformar os EUA em um polo global de ativos digitais, e a decisão com a família Trump é um teste para esse modelo. No entanto, especialistas alertam que a falta de separação entre interesses privados e públicos pode minar a confiança no sistema.
O que vem agora
A World Liberty Financial ainda precisa obter a aprovação final do OCC, que deve analisar o plano de negócios e a estrutura de capital do banco. Não há prazo oficial para a decisão, mas a Bloomberg indicou que o processo pode ser concluído em até seis meses. A empresa também precisa definir como vai integrar o USD1 aos serviços bancários, incluindo a conversão automática entre a stablecoin e o dólar.
Enquanto isso, a família Trump deve enfrentar pressão política e judicial. Parlamentares democratas já pediram investigações sobre o processo de aprovação, alegando favorecimento. A World Liberty Financial, por sua vez, afirma que cumpre todas as regras e que o banco será uma instituição independente. O mercado acompanha de perto: se o banco for aprovado, o USD1 pode se tornar uma das stablecoins mais usadas nos EUA, com impacto direto no setor financeiro global.
