Petróleo interrompe alta de seis dias com mercado de olho em Ormuz
AIE projeta déficit de 1,8 milhão de barris por dia no trimestre, o dobro da estimativa anterior
O que aconteceu
Em 13 de agosto de 2026, os preços do petróleo deram uma pausa após seis dias consecutivos de alta, com traders à espera de sinais de progresso na reabertura do Estreito de Ormuz e na retomada dos fluxos pré-guerra de petróleo e gás (Bloomberg). A trégua ocorre no momento em que a AIE afirma que o mercado global enfrenta um déficit de 1,8 milhão de barris por dia neste trimestre, o dobro da projeção anterior (Bloomberg). June Goh, analista sênior de mercado de petróleo da Sparta Commodities, avaliou os movimentos do setor em entrevista à Bloomberg.
Contexto
O Estreito de Ormuz, que liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã, é uma das rotas mais críticas do comércio global de energia: por ele passa parcela expressiva do petróleo e do gás exportados pelo Oriente Médio. O conflito prolongado na região já tinha elevado os preços do petróleo cru e dos derivados, segundo a leitura de Goh. A interrupção dos fluxos no nível pré-guerra e a incerteza sobre a reabertura da rota sustentaram os ganhos das seis sessões anteriores. O novo número da AIE reforça o aperto: um déficit de 1,8 milhão de barris por dia é o dobro do que a agência projetava, sinal de que a oferta global está mais apertada do que o estimado.
Por que importa
O preço do petróleo é repassado a gasolina, diesel, querosene de aviação e gás de cozinha, o que pressiona a inflação e o custo de transporte. Para empresas de energia, logística e aviação, o período de alta já havia comprimido margens; a pausa reduz a pressão imediata, mas não elimina o risco. No Brasil, importador de derivados, a combinação de conflito prolongado e déficit global tende a chegar aos preços internos de combustíveis, com impacto direto no consumidor — embora o ritmo do repasse dependa da política de preços da Petrobras e da defasagem em relação ao mercado internacional.
Impacto
No curto prazo, a volatilidade deve continuar alta: qualquer sinal sobre Ormuz, positivo ou negativo, tende a mover os preços com força. Se o déficit de 1,8 milhão de barris por dia se confirmar no trimestre, o mercado volta a testar patamares elevados, com custos maiores para refinarias e indústrias intensivas em energia. Por outro lado, a reabertura gradual do estreito liberaria oferta e ajudaria a aliviar os preços do petróleo e dos derivados, recompondo parte das rotas e dos contratos alterados durante o conflito.
O que muda
A pausa na alta não significa reversão de tendência. O mercado saiu do modo automático de ganhos diários e passou a precificar cenários: reabertura de Ormuz, normalização dos fluxos de petróleo e gás e o tamanho real do déficit global. A sinalização da AIE muda a leitura de curto prazo — o aperto é o dobro do esperado, o que limita o espaço para quedas sustentadas mesmo com a trégua desta quinta-feira.
O que vem agora
Traders e analistas acompanham os desdobramentos diplomáticos envolvendo o Estreito de Ormuz e qualquer movimento de retomada das exportações de petróleo e gás da região. Os próximos relatórios de estoques e as revisões da agência devem calibrar as projeções de oferta para o trimestre. Na avaliação de Goh, o conflito prolongado segue como variável central: enquanto não houver um acordo claro sobre a reabertura da rota, o prêmio de risco permanece embutido nos preços do petróleo e dos derivados.
Fontes
- Bloomberg — Goh: Long Mideast Conflict Hit Crude Product Prices: https://www.bloomberg.com/news/videos/2026-08-13/goh-long-mideast-conflict-hit-crude-product-prices-video
