Kalanick: 'apenas 1% dos VCs são úteis' após captar US$ 1,7 bi
Fundador do Uber critica investidores e aconselha fundadores a criar disputa entre firmas
O que aconteceu
Travis Kalanick voltou a atacar o ecossistema de venture capital. Em entrevista ao podcast de David Senra, veiculada no último fim de semana, o fundador da Atoms — empresa de robótica que acaba de captar US$ 1,7 bilhão, com a Andreessen Horowitz na liderança e Ben Horowitz no conselho — disse que apenas 1% dos VCs são "úteis" de fato (TechCrunch).
Segundo Kalanick, o padrão mínimo para um investidor seria "não causar dano", mas só 10% das firmas atingem esse nível. Ele comparou o fundador a um "mestre de xadrez" e o VC a um "entusiasta" que aparece de vez em quando para ver o andamento do jogo.
Contexto
A relação de Kalanick com VCs sempre foi turbulenta. Na Uber, ele levantou cerca de US$ 15 bilhões em venture funding — um recorde na época — mas foi expulso em 2017 após uma batalha no conselho com Bill Gurley, da Benchmark. O episódio deixou marcas: no podcast, ele afirmou que diz a fundadores para não captarem com a Benchmark. A firma, porém, não parece ter sofrido: em junho, levantou mais US$ 2 bilhões em dois novos fundos.
Por que importa
A fala de Kalanick ecoa um sentimento comum entre fundadores, mas ganha peso por vir de alguém que captou bilhões em diferentes ciclos. Ele não recomenda evitar dinheiro de VC — pelo contrário, sugere que fundadores preparem um pitch tão bom que provoque uma guerra de lances entre as firmas. Para o atual momento de mercado, ele recomenda compartilhar um plano moderadamente detalhado: pouco detalhe não atrai investimento, e excesso parece ingênuo, já que ninguém consegue prever o futuro em um cenário de IA tão acelerado.
Impacto
A crítica pública de Kalanick reforça o debate sobre o papel real dos VCs além do capital. Para startups brasileiras, o recado é direto: o dinheiro vem com expectativas e interferências, e a relação precisa ser gerida com cuidado. A declaração também alimenta a narrativa de que fundadores experientes estão mais seletivos — e que o poder de barganha mudou de lado em um mercado aquecido.
O que vem agora
A Atoms, com US$ 1,7 bilhão em caixa, deve acelerar o desenvolvimento de robôs para tarefas domésticas e industriais. Kalanick, por sua vez, segue como uma voz crítica do setor, mas sem abrir mão do capital — desde que os termos sejam favoráveis. A recomendação de criar disputa entre VCs deve ganhar tração entre fundadores que buscam rodadas maiores.
