Disney processa FCC por retaliação contra liberdade de expressão

Empresa alega campanha do governo Trump para punir cobertura crítica da rede

Por Marcos Guimarães18 ago 2026
Disney processa FCC por retaliação contra liberdade de expressão

O que aconteceu

A ABC, controlada pela Disney, protocolou na terça-feira uma ação judicial contra a Federal Communications Commission (FCC) alegando violação da Primeira Emenda. O processo descreve as investigações do órgão como uma “campanha retaliatória” da administração Trump para conter a liberdade de expressão da rede (via IGN).

A disputa começou em setembro, quando a ABC suspendeu o apresentador Jimmy Kimmel após pressão da FCC — decisão revertida depois de reação pública. Em abril, a FCC abriu revisão antecipada das licenças de oito estações de TV pertencentes diretamente à Disney, anos antes do vencimento. O órgão citou preocupações com políticas de diversidade, equidade e inclusão. Em julho, o presidente da FCC, Brendan Carr, afirmou que a decisão da ABC de não transmitir um discurso presidencial em junho também entraria na análise.

Contexto

A relação entre a ABC e a administração Trump está deteriorada há quase um ano, em meio a coberturas críticas ao presidente. A FCC também investiga o programa The View por suposta violação da Regra de Tempo Igual. Segundo a CNN, as licenças de radiodifusão são renovadas a cada oito anos e raramente revogadas — até agora, a FCC não havia protocolado uma ordem de renovação antecipada em décadas.

Por que importa

A ação coloca em xeque a independência do regulador de comunicações e o uso de mecanismos administrativos para pressionar veículos de imprensa. Se a FCC puder antecipar revisões de licença com base em conteúdo editorial, o precedente afeta não apenas a ABC, mas todas as emissoras dos EUA — e reverbera em mercados como o Brasil, onde a regulação de mídia é tema sensível.

Impacto

No curto prazo, a liminar pedida pela ABC pode congelar o processo de renovação antecipada, evitando que as oito estações percam suas licenças. No médio prazo, o caso pode definir limites para a atuação da FCC em questões políticas. A ação também expõe a fragilidade de estações locais: a maioria das afiliadas da ABC pertence a outras empresas, como Sinclair e Nexstar, que chegaram a se recusar a transmitir o programa de Kimmel após sua volta ao ar.

O que muda

A disputa transforma a FCC em arena de conflito político direto. A alegação da Disney de que a agência age como braço da administração para punir discurso protegido pela Primeira Emenda pode levar a uma revisão judicial dos poderes do órgão. Para o setor, o caso sinaliza que licenças de radiodifusão podem se tornar instrumento de pressão — algo que emissoras de todo o mundo observam com atenção.

O que vem agora

A Justiça deve analisar o pedido de liminar nas próximas semanas. A FCC, por sua vez, pode responder à ação ou aguardar a decisão judicial. A ABC argumenta que não há alternativa senão recorrer ao tribunal, citando “ameaças contínuas e imediatas” que só poderiam ser eliminadas com a capitulação total às exigências da administração. O desfecho do caso pode levar meses e estabelecer jurisprudência sobre a relação entre reguladores e veículos de imprensa.