Uso de redes sociais cresce entre menores de 16 na Austrália após proibição

Dados do Qustodio mostram retomada no uso de TikTok, Instagram e Snapchat após queda inicial; especialista diz que restrições podem não estar funcionando

Por Marcos Guimarães26 ago 2026
Uso de redes sociais cresce entre menores de 16 na Austrália após proibição

O que aconteceu

Na quarta-feira, 26 de agosto de 2026, o Qustodio, aplicativo de controle parental, divulgou dados mostrando que menores de 16 anos na Austrália voltaram a aumentar o uso de redes sociais como TikTok, Instagram e Snapchat, mesmo após a entrada em vigor da proibição em dezembro de 2025. O uso do TikTok entre adolescentes de 13 a 15 anos ficou em 25,9%, apenas um ponto percentual abaixo do nível pré-proibição. Entre crianças de 10 a 12 anos, o uso do TikTok ficou 0,06 ponto percentual abaixo do registrado antes do banimento. O Qustodio coletou os dados analisando o uso mensal anonimizado de aplicativos entre crianças australianas, considerando quem usou o app por mais de cinco minutos consecutivos ao menos uma vez no mês.

Contexto

A Austrália implementou a legislação proibindo crianças de usar plataformas de redes sociais em dezembro de 2025, tornando-se pioneira mundial. Reino Unido e França seguiram o exemplo. Quando as restrições foram implementadas, o uso dessas plataformas caiu em todas as faixas etárias, segundo o Qustodio. No entanto, os dados mais recentes indicam uma retomada. Yasmin London, especialista global em segurança online do Qustodio, disse: "Eles podem estar acessando essas plataformas com VPNs ou ocultando suas idades. Mas pode ser simplesmente que estão acessando esses aplicativos porque as restrições não estão funcionando." A especialista também mencionou que o aumento no uso do WhatsApp, que não é afetado pela proibição, pode indicar uma migração para plataformas menos reguladas.

Por que importa

Os números levantam dúvidas sobre a eficácia da proibição australiana e de leis semelhantes em outros países. Se a fiscalização não consegue impedir o acesso, o impacto real sobre a segurança infantil é limitado. Para pais e responsáveis, o dado reforça a necessidade de acompanhamento ativo e de ferramentas de controle parental. Para as plataformas, a persistência do uso pode acelerar a implementação de sistemas de verificação de idade mais rigorosos.

Impacto

O retorno ao uso de redes sociais ocorre em um contexto de preocupação com bullying online e algoritmos "predatórios", apontados por autoridades australianas. Um estudo revisado por pares, publicado em junho por pesquisadores australianos, já havia encontrado poucas evidências de que os adolescentes abandonaram as redes sociais por causa da proibição. O aumento do uso entre crianças de 10 a 15 anos pode pressionar as plataformas a adotarem medidas mais efetivas, como reconhecimento facial ou análise comportamental. O Qustodio também registrou crescimento no uso do WhatsApp, que não é alvo da legislação.

O que vem agora

A Nova Zelândia anunciou, nesta semana, que vai apresentar legislação para multar empresas como a Meta em até 10% de sua receita global anual se não cumprirem as regras de proteção a menores. Essa medida pode criar um efeito cascata em outros países. O Qustodio continuará monitorando os dados para avaliar se as restrições terão efeito de longo prazo.

Fontes